Domingo, 25 de Março de 2012

"Algarve - 12 Poetas a Sul do Século XXI", por António Carlos Cortez

Algarve - 12 Poetas a Sul do Século XXI

 

 

Introdução de António Carlos Cortez à antologia de poesia "Algarve - 12 Poetas a Sul do Século XXI" (Livros Capital/Linguagem de Cálculo, 2012)

 

Algumas palavras breves sobre este livro ou o Sul a várias vozes

 

Esta antologia, intitulada Algarve — Doze Poetas a Sul do Século XXI, contempla doze vozes muito diferentes da poesia actual. O título não poderia ser outro: Doze Poetas a Sul, pois não se trata, como o leitor poderá facilmente constatar, de uma reunião de poetas «do sul». Tornando elíptica uma preposição que não faria outra coisa senão diminuir o alcance deste livro, mais justa e rigorosa se torna a edição de doze poetas que, apesar de não terem todos a mesma região por nascimento — o Algarve — representam, de algum modo, esse lugar de onde são originários alguns dos mais importantes poetas portugueses do século XX. Bastaria, para comprovar o que se disse, indicar os nomes de António Ramos Rosa (Faro, 1924), Gastão Cruz (Faro, 1941) e Nuno Júdice (Mexilhoeira Grande, 1949). Certo é que este encontro de poetas «a Sul» traz consigo alguns motivos de reflexão, os quais, não querendo ser exaustivo, não posso deixar de destacar. Desde logo, que significará o ser‑se (ou fazer‑se) poemas «a sul». Designativo impróprio, por se sugerir que só a sul estes poetas poderiam ter feito tais poemas? E sendo «a Sul», apesar de portuguesa, não se poderia ter incluído uma mais fiel indicação quanto à proveniência dos autores, sendo todos do Algarve ou aí residentes? Questão talvez ociosa... O leitor que diga. E, já agora, se de Sul se trata, não poderíamos ter aqui poetas do Alentejo?... Outra questão sem importância, decerto...

 

Todavia, podemo‑nos perguntar, aprofundando, por que razão os responsáveis desta edição apenas quiseram seleccionar (contactar, escolher, restringir) doze poetas. Alguns outros poderiam, sendo algarvios ou vivendo no Algarve há décadas, figurar nesta compilação. Se a resposta à anterior pergunta for de simples critério de gosto — o que é legítimo — há uma outra interrogação que se intromete entre o leitor e esta selecção
de textos, a saber: Por que motivos os poetas aqui compilados escolheram estes e não outros poemas? Ou melhor: se este livro tem, nas motivações que o animam, o desejo de mostrar a poesia que se faz sobre o Algarve, então, porquê não concentrar essa visão do sul em poemas que imediatamente evocassem ou convocassem a ria de Faro, a Serra de Monchique, os belos areais da Praia da Ilha de Tavira, a cidade de Silves, Sagres e o Infante...? Mas esta pergunta tem resposta rápida: é que este livro, Algarve — Doze Poetas a Sul do Século XXI, não é uma compilação de poemas turísticos sobre o Algarve e, assim sendo, desengane‑se o leitor diligente ou regionalista, o leitor convicto das causas provinciais (ou provincianas). Em rigor, este é um livro feito «para» o Algarve, isto é, um livro para que os leitores, no Algarve (onde, como é normal, haverá uma maior divulgação, com sessões de lançamento que, esperemos, sejam concorridas), possam saber que há poetas, e dos maiores da nossa língua, nados e criados nessa região do país. Ou, o que é o mesmo: um livro para todos os que, gostando de poesia, possam entender como o lugar de origem se transforma em tema literário ou pretexto da escrita de um poema.

 

Neste sentido, Algarve — Doze Poetas a Sul do Século XXI não deixa de ser, acima de tudo, um livro de poesia. Sem mais. Os poetas convidados tiveram a total liberdade quanto aos textos que gostariam de ver editados. Escolheram‑nos em função do seu critério pessoal e intransmissível. Como leitores do mundo em que vivemos, não podem os autores destes textos, deixar de reflectir uma noção de poética, uma determinada concepção de trabalho verbal que interage com a visão de um mundo, correspondente à sensibilidade de cada um. Aliás, quanto a este último ponto, creio que pode ser muito interessante ver como a condição verbal da literatura — que é o que conta quando queremos saber se estamos ou não perante um texto literário (literatura é «linguagem carregada de sentido», diz‑nos Ezra Pound) — tem, aqui, diversos tratamentos e modulações. Consoante estejamos perante poéticas mais veementes no seu fazer gramatical (casos de Ramos Rosa e Gastão Cruz) ou mais veementes na sua irrupção emocional (casos de Casimiro de Brito ou de Esteves Pinto), assim o texto se apresenta ora mais alusivo, indirecto ou oblíquo, linguisticamente engenhoso, ora mais situacional, com remissões óbvias para certos referentes imediatamente identificáveis. Mas uma última pergunta, porém, se nos impõe: o que terá levado os organizadores a cobrir apenas vozes da poesia dos séculos xx e xxi? Esta última questão pode, sem esforço, ter resposta: «importa‑nos», dirão os organizadores, «o nosso tempo, os nossos poetas de hoje, os mais velhos e os mais novos e dar a conhecer o que o Algarve tem de poetas.» Seja. Independentemente do que venha a ser a fortuna desta edição, uma coisa é certa: esta colectânea mostra a quem quiser ver que, longe de Lisboa, centro decisor do que em cultura em geral, e na poesia em particular, se realiza em Portugal, há outros lugares para a poesia. Expressão máxima de uma língua, a poesia também acontece «ao sul». Tal facto, por outro lado, é sinal de ousadia e de risco, de vontade de fazer para além do que está instituído. O Algarve, relativamente a este aspecto, continua a dar cartas. Pois não foi em Faro que se fizeram projectos como os Cadernos do Meio‑Dia, de francófona e ramos‑rosiana inspiração na década de cinquenta? E sabemos como no Algarve uma revista como a SulScrito tem vindo a abrir portas e janelas a muitos jovens autores, alguns dos quais aqui presentes.

 

A título pessoal, confesso que é sempre com um misto de curiosidade e de paradoxal recusa que vejo publicações deste género chegarem às montras das livrarias. Sabemos todos que neste tempo de ditadura da banalidade imperam as «bestas céleres» de que falava Alexandre O’Neill... Os jornalistas de pacotilha e ao serviço das «esquerdireitas» do momento; os poetas pop que fazem digressões pelo país e o estrangeiro, os marginais de ocasião, muito nos poderia fazer desconfiar dos intentos deste empreendimento... Mas não é isso que se passa. Há, de resto, um fundo de autenticidade no projecto que aqui é apresentado — sem poses e artifícios quer‑se divulgar e promover, é certo. Mas não se pede à poesia o que ela não tem de dar: luzes de qualquer ribalta. Perdeu‑se, creio, um certo (e necessário) pudor, digamos assim, poético. Ao abrigo das leis do mercado, de uma cultura imediatista e sequiosa de descobrir ou patrocinar «novos talentos» a todo o instante, o poeta, do escritor, o homem e mulher que fazem cultura esquecem‑se do essencial: a literatura é um exercício de solidão. Seja por estratégia deliberada, seja por reflexo condicionado de uma época indecorosa,sabemos todos quanto o publicar‑se hoje um livro (seja poesia ou romance), não quer dizer absolutamente nada... Quanto à poesia, género desprezado (e ainda bem!) pelas grandes editoras, vale bem a pena descobrir neste marginal volume poetas, mais novos, que não fazem parte do (suposto? eventual? Imaginário?) «meio literário». E isso é relevante. A poesia, na verdade, seja a destes ou a de outros poetas que surjam em projectos de semelhante natureza (para já não falar das revistas nem das editoras de poesia, que correm o risco de desaparecer) está condenada a sobreviver num gueto... Essa é a sua maior força. E, na verdade, se lermos com atenção o percurso dos nossos maiores poetas do século XX, um padrão de comportamento podemos identificar. Reunidos em torno de revistas (de Orpheu ou presença até Limiar ou As Escadas não Têm Degraus ou, hoje, da Relâmpago às revistas Agio ou Telhados de Vidro) os poetas tiveram de se defender de uma progressiva perda de poder simbólico da literatura e da poesia. A imensidão de projectos editoriais surgidos nos últimos anos em Portugal (editoras como a Casa do Sul, de Évora (onde Ramos Rosa publicou); a Trama, em Lisboa são exemplos de monta), constitui um sinal de que a poesia, como queria Ruy Belo, em face deste «tempo detergente» não pode pactuar. Jean‑Luc Nancy, no livro A Resistência da Poesia (Vendaval, 2010), diz mesmo que não é outro o destino dos poemas: ficar a um canto e nesse canto acolher o que for possível. Assim, a minha curiosidade quanto a este tipo de projectos editoriais justifica‑se plenamente, na medida em que, inconscientemente, supomos que é possível encontrar uma voz que nos surpreenda e desafie (e estão aqui, pelo menos, quatro grandes vozes de poesia!). Além do mais, se for uma voz jovem, que traga consigo novidades de construção de linguagem, não daremos por perdido o tempo que dedicámos à leitura destes autores. Não se trata se querer encontrar nos mais jovens poetas aqui presentes a «revelação» poética com que a crítica tantas vezes se diverte. Trata‑se, julgo, de tentar ler o nosso tempo ao ler as gerações que aqui se entrecruzam. A revelação, a havê‑la, estará justamente nesse trabalho de revisão dos modos de dizer um tempo, um espaço, uma vida. Se a essa curiosidade inicial sobrevém o sentimento da recusa que nos faz recuar e perguntar se vale mesmo a pena mergulhar em mais um empreendimento que, à primeira vista, pode ser mais do mesmo, tal se deve ao que há pouco dizíamos: é que não pode o poeta querer ser, como as estrelas «pop» ou os futebolistas, os jornalistas‑romancistas. Esta edição terá, portanto, a desejada pouca sorte: é um livro de poesia de «poetas ao sul» e pode ser que poucos leiam este livro. Helás!

 

Os poetas mais velhos deste livro são António Ramos Rosa e Manuel Madeira. Quem apresenta Ramos Rosa é, inclusivamente, Manuel Madeira. Os mais novos são Pedro Afonso e Miguel Godinho, ambos nascidos em 1979 e Tiago Nené, nascido em 1982. Há depois a geração de sessenta, isto é, aqueles poetas que começam a publicar nos anos sessenta e setenta e estão hoje no auge do seu reconhecimento público ou académico: Gastão Cruz, Nuno Júdice e Casimiro de Brito.

 

Pertencentes à geração que nasceu nos finais dos anos cinquenta ou nos inícios da década seguinte, temos José Carlos Barros, Fernando Esteves Pinto, Rui Dias Simão e Vítor Gil Cardeira. Esta ordenação, seguindo quase uma orientação geracional, denota, enquanto estruturação da colectânea, o desejo de apresentar os diversos ângulos ou as diversas expressões poéticas que cada geração terá, eventualmente, realizado. Poder‑ se‑ia, talvez, ler cada uma das gerações à luz de uma concepção de linguagem poética que as reflecte? Ou não será mais acertado ler cada um destes poetas no que as suas propostas de linguagem têm de mais urgente e inovador, singularizando cada mundo de linguagem? Prefira‑se, por uma questão de método, a última hipótese. São poetas, todos eles, com modos totalmente distintos de dizer a vida. Da poesia cósmica e metaforizante, conceptual e imaginativa, solar e evanescente de António Ramos Rosa (que mostra bem como a sua poética é esse «caminho de palavras» e essa procura ontológica numa assumida «liberdade livre» da palavra como acto de criação), passando pela poesia de Gastão Cruz (reflexiva, vigilante e vigiada no seu lirismo, plena de um saber oficinal que reenvia a Camões e aos maneiristas, e que pelo saber consciente do verso, pela «agudeza e arte de engenho» fazem da sua obra uma das mais densas e exigentes da nossa poesia actual); sem esquecer ainda o que em Nuno Júdice é a ironia sobre o próprio dizer poético como modo (in) completo de ser comunicação, ficção e fábula, até chegarmos a Casimiro de Brito, em que a palavra poética perscruta uma sageza oriental, sem se eximir a um canto do corpo e do erotismo que, por vezes, contradiz (ou complementa?) um desígnio de expressão búdica da vida, na via de mestres para quem o silêncio é a arte maior; destes poetas, os mais conhecidos, à poesia de Fernando Esteves Pinto ou Tiago Nené, é todo um mundo verbal, de procura de uma criatividade na dicção, o que nos espera.

 

Observamos ritmos muito diferentes, temas e motivos radicalmente opostos entre estes autores. Creio que para poetas como Ramos Rosa, Gastão Cruz, Júdice e Casimiro de Brito, a poesia, no seu engendramento, no seu tratamento versificatório, é mais exigente. A leitura de um qualquer poema do autor de Ciclo do Cavalo transporta‑nos para dimensões oníricas inscritas dentro das palavras. É necessário, ao ler Ramos Rosa, estar‑se atentos às correspondências que se estabelecem entre os vocábulos e as imagens que, na trama textual, produzem efeitos surpreendentes de significação. Essa necessária atenção à gramática é uma marca evidente na poesia de Gastão Cruz. A invenção do real é, no autor de Rua de Portugal, causa e consequência das «emoções linguísticas». São as imagens o que o poema, como recriação de uma emoção primeira, grava, conferindo um sentido ampliado ao passado reescrito.


Mais metaliterárias, as poéticas de Gastão e Júdice, em alguns momentos, jamais, num e noutro, o real, o concreto, o palpável deixa de estar presente. Bem pelo contrário. Sucede é a realidade do passado ficcionalizar‑se num presente textual, através do qual se transforma a realidade dos factos vividos em realidade do acto poético. Note‑se, por exemplo, que o pendor narrativo da poesia de Júdice não deixa de tematizar certas linhas de uma tradição, nomeadamente a romântica, segundo as quais o texto poético é epifania, revelação, êxtase. Na página em branco, Júdice faz literatura e vida, recria em poemas‑história ou em poemas de substracto romanesco, o percepcionado por um olhar que desmonta, interpreta, estuda, recria. Narrativa poética, a de Júdice, e que terá influenciado muita da poesia (descritiva, coloquial, quase prosa) que se fez depois, em particular a cultivada pela geração de poetas como Barros, Esteves Pinto e Dias Simão. Mas estes, já pela experiência de revisão poética, que realizam nos anos oitenta, já pela procura de uma naturalidade ou espontaneidade que os libertasse da carga metapoética das gerações suas antecessoras (a de Ramos Rosa e as de Gastão Cruz e Júdice ou Casimiro de Brito), divergem de tudo quanto seja vigilância discursiva ou teorização literária dentro do poema. Com efeito, em muito se aproximam, os poetas que têm entre quarenta a cinquenta anos, do gosto inglês (?), espanhol (?). Prefere‑se um dizer que vai mero apontamento, do sardónico e corrosivo, ao melancólico e sarcástico entregue ao tom «maldito» (especialmente em Cardeira). Esse tom dessacralizado da poesia reactualiza‑se em poetas já nascidos nos finais dos anos setenta, como Pedro Afonso. Tratar‑se‑á de um menor investimento na engenharia verbal? Tratar‑se‑á de uma menor atenção àquilo que poderíamos ver como exigência formal, estética? Ou é, tão‑só, o sinal de que a poesia, hoje, deseja verdadeiramente comunicar, dizer, mostrar? A poesia de José Carlos Barros, por seu turno, podendo dialogar de perto com a de Júdice, pelas remissões culturalistas de uma e outra, pauta‑se por uma denegação narrativa, preferindo um olhar menos implicado numa realidade referencialmente concreta. Propõe‑nos um olhar em diferido, por meio de outras artes, a pintura. O sujeito não evita, porém, em lançar‑se em outras direcções, nomeadamente a intimista e confessional, convocando a memória às vezes numa toada mais confessional. Já Fernando Esteves Pinto, falando sobre a miséria e grandeza do fluir humano (o seu livro O Tempo que Falta é disto um exemplo suficiente), não raro se aproxima de um pensar o poema que, aqui e ali, lembra muito algum Ramos Rosa. Trata‑se de um poeta para quem a aura da poesia se perdeu porque jamais a poesia teve essa aura de baudelaireana fundação. A poesia não é, pois, lenitivo seja para o que for. Poesia é, em Esteves Pinto, a dor lancinante de um «eu» que procura nas palavras o que elas não podem oferecer: o amor, o encontro feliz. Dramatizando, encenando outras vozes que pela voz do poeta partilham narrativas feridas de morte, há momentos em que os seus textos levantam a cisão, fecunda, entre pensamento, palavra e acção, edificando um sujeito que não pode jamais resolver essa mesma cisão. E é justamente a divisão, um «eu» cindido, um «ser» a caminho da morte o que lemos, nos melhores momentos, em Godinho, Nené e Afonso. A ambiência deceptiva ou crepuscular inscreve‑se num reconhecível modus operandi da poesia mais recente. João Luís Barreto Guimarães, Tolentino Mendonça, Manuel de Freitas, eis alguns possíveis nomes a ter em conta quando lemos Nené, Afonso e Godinho. Ultrapassadas eventuais influências, o certo é que o poema é também, nos três autores mais novos, nota breve, registo de um dia‑a‑dia perdido.
Mesmo se havendo espaço para assentar filosofias ou meditações que mostram a ironia sobre o acto de escrever pensado como frustrada experiência, o eixo comum a estes poetas é, sem dúvida, a concepção do poema como experiência não da linguagem em si mesma, mas da vida gravada numa hipótese de linguagem. Assim se justifica a preferência pelo banal, pelos acontecimentos aparentemente sem importância, aproximando‑os de uma linhagem de poesia de circunstância extremamente produtiva... Em todo o caso, há «ruas que sangram» em Pedro Afonso, e um léxico muito original, acompanhando um universo interior irónico e magoado em Tiago Nené, que vale a pena registar.

 

Na violenta época económica em que vivemos, poetas como Cardeira e Simão, vindos da geração de oitenta, lembram‑nos, pelo inusitado de certas construções verbais e pela sarcástica adesão a um real abjecto — que se impõe em textos de forte anti‑poesia, como que desautorizando o próprio gesto da escrita — a herança «sixties» que, neles, directamente se filia com certa poesia «beatnik». Mas algo de profundamente idealizado existe nos textos destes dois autores: por detrás do salivar relativista de tudo, esconde‑ se, por vezes aquele «fetiche do fim que dissolve a neblina» de que fala Cardeira... O mesmo é dizer que, entre gerações, as várias que aqui se reúnem, a poesia, ora como acto de imaginação, ou como engenharia verbal, ou profunda meditação sobre si própria, ora como revelação íntima ou confissão em diferido, acaba por chegar sempre aos leitores que a queiram ou saibam ler. Várias vozes são aqui alvo de reunião. As entradas sobre os autores especificam o quanto este prefácio não soube dizer. Informam‑nos sobre as linhas de leitura a ter em conta quanto a estes doze poetas.

Haverá, obviamente, quem venha a julgar programática (por algum motivo obtuso...) esta edição. Não há nada de programático. Apenas o Algarve (podia ser o Porto, o Douro, ou o Alentejo, como se disse) vem mostrar como a poesia encontra sempre ruas onde não há sinais de
sentido único.

 

António Carlos Cortez,
22 de Outubro de 2011

 

publicado por tiagonene às 20:32
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Abade de Jazente / Poema

 

 

 

 

 

Amor,é um arder, que se não sente;

É ferida que dói, e não tem cura;

É febre, que no peito faz secura;

É mal, que as forças tira de repente.

 

É fogo, que consome ocultamente;

É dor, que mortifica a Criatura;

É ânsia a mais cruel, e a mais impura;

E frágua, que devora o fogo ardente.

  

É um triste penar entre lamentos;

É um não acabar sempre penando;

É um andar metido em mil tormentos.

   

É suspiros lançar de quando, em quando;

E quem me causa eternos sentimentos;

É qum me mata, e vida me está dando.

   

Abade de Jazente

in "366 poemas que falam de amor",

antologia organizada por Vasco Graça Moura,

Quetzal Ed., Lisboa 2004

 

*

Escritor português, nasceu em Amarante, em 1719, tornando-se pároco de Jazente a partir de 1753, cargo ao qual resignou, por doença, em 1783. Estudou em Coimbra e foi uma das presenças da Arcádia Portuense que reuniria por finais de 1760. A sua vida repartiu-se entre esta, as festas conventuais e a solidão rústica.
Como poeta, sobretudo sonetista, cantou os temas horacianos do amor epicurista e da dourada mediania rural. A obra legada fornece-nos preciosos depoimentos históricos e também por ela sabemos dos seus prazeres (a caça, a pesca, o jogo, a boa mesa); das suas fraquezas, do seu triste envelhecer, dos seus amores, pois revela-nos episódios concretos de um relacionamento com Nise (anagrama de Inês da Cunha). Os sonetos respeitantes a esta constituem o mais pungente drama de amor do século XVIII português. Além de poesia de circunstância, deixou textos de conteúdo moral e poesia de matiz romântica. (in Infopédia)

 

 

publicado por tiagonene às 03:46
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Uma Antologia de Poesia do Século XXI

 

 

O poeta espanhol Fernando Sabido Sánchez tem um blogue de poesia muito interessante e que funciona como uma espécie de antologia mundial com poetas do seu gosto pessoal. Fico honrado por ser um dos portugueses. Boa oportunidade para se ler alguns dos meus poemas mais antigos.

publicado por tiagonene às 03:24
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Sábado, 24 de Março de 2012

Poema de Luís Serguilha / Hangar 7

Luís Serguilha é dos poetas portugueses contemporâneos que mais admiro. Gostei muito desta proposta, do livro KOA'E. Confidencia-me o autor que "é para poetas" e eu entendo bem o que quer dizer.

 

publicado por tiagonene às 21:59
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Quinta-feira, 22 de Março de 2012

Poemas de Francis Vaz, poeta espanhol

Em Janeiro de 2009 estive na Trama, em Lisboa, para apresentar o poeta espanhol Francis Vaz e a sua "Antología de Drink River". Publico na íntegra os poemas que traduzi para aquela noite tão especial.

 

 

Procuro um assassino mas ninguém se move

Seguro a garrafa de álcool barato

E nada

Será que me destroem a ilusão

Com impulsos de boa fé

Assim ela respira e não parte o seu porquinho de moedas

O seu bar parece um jardim zoológico com animais

de várias espécies

Escumalha essa palavra que nos iguala

Escumalha de olhos tristes que clamam

O galope de um cavalo nas veias

A emoção daquele que entrega o seu sangue

Um corte tão solitário um corte de amor

Esquecido ao acaso por baixo dessa terra

Que sem reparar nós pisamos

 

Esquecemo-nos do amor

como a morte se esqueceu de mim

a partir do interior

atrás dos vidros

observo a cinza que nos entregam como se fosse céu

e os tímpanos gelados das cornijas

e a sua aparência que é de perigo

de dureza seca

Quanta frieza acumulada!

Por que não postergar a sua gélida máscara

Por que não desejar fazê-la jazer debaixo da terra

Pisoteada pela escumalha de olhos tristes

Que impotentes

Nem chorar eles conseguem.

 

Gemo de raiva pelo seu cruel desdém

E porque sei que chegará ainda que tardio

E me achará sozinho terrivelmente sozinho

Com os olhos cristalizados na noite

Como dois glaciares milenários

Que com a luz de um afecto sincero

Talvez pudessem no entanto descongelar. 

 

*

 

O comerciante vem pelo seu pedaço de carne

Negociada  no seu banco com o construtor

deixa a carteira sobre o balcão

e aperta o nó da sua gravata

a cada olhar meloso da santa rapariga

Paca,  o travesti põe-no nervosíssimo

imagina esses pénis erecto entre rendas e se relambe

Mas o desejo de negócio é mais frutífero

e por aqui não parece rondar gente de bem

e também receia os chibos e os seus boatos

por isso a sua mão é graciosa quase de mago

e debita parábolas sobre o balcão enquanto paga

até segurar o pequeno saco que a miúda

envolve em cupões não premiados

depois fará contas e mais contas

enquanto o construtor ainda o olha com olhos de chibo.

 

Esta noite não haverá conversa banal

Com a senhora que dorme a seu lado

E o comprimido para dormir não fará o seu efeito.

 

 

*

 

Vem dando a mão e distribuindo panfletos

fala-nos de direitos sociais

de honestidade e limpeza moral

o seu sorriso pepsodent brilha e cega

tem carisma e muitos o desejam

outros o injuriam e apelidam-no de Satanás

mas ele pode com todos

e a todos promete

um passaporte para o paraíso se nele votarem

a grande vida!

Ele é um grande exemplo disso

De viver nesse bairro e no palacete com piscina

A sua visita é breve

E depressa pisa com firmeza o asfalto

subindo ao mercedes

Depois saca um lenço e

Conscienciosamente

Limpa as suas mãos

De toda a sociedade.

 

*

 

O travesti de tetas caramelizadas da televisão

Diz que ela não é moderna é futurista

E as suas palavras ressoam como um génesis

Desde o fundo do primeiro plano das suas plataformas

naves inter-espaciais da galáxia friki

Reclama igualdade nos seus direitos

Porque todos desejamos o mesmo - diz

Ainda que muitos homens o neguem

Será que todos nos vestimos de:

“rapaz, põe-me os ovários no céu da boca”

Ou isso gostaria se não representasse

Todos os buracos dos donuts -  mas e o creme?

Quem poria o creme

Se não houvesse cabrões morenos em cuecas

Heróis da espada enxertada na sua garganta.

 

*

 

O escritor pensa compreender as suas personagens

por isso vem aqui como um espectro patético

espectro sem papel em qualquer obra

sempre o acompanha algum livro

Becker ou Kafka por exemplo

E um próprio intitulado de “Louvor de vaidades”

Pede uma cerveja sem álcool

Coloca o seu livro bem à vista

E simula ler o outro

Fingindo com afinco um rosto de erudito

A verdade é que lambe e saboreia visualmente

O cu das putas

as tetas artificiais de Paca, a travesti

o profundo decote da tonta miúda

Nunca haverá no entanto proximidade alguma

o seu status intelectual é arame farpado

que impede o seu passo de chegar às flores do lamaçal

Vai embora amanhã cedo e vai madrugar

tem previsto visitar o deputado

ou o editor ou o vereador da cultura ou…

 

já no seu quarto não lhe custa despir-se

tem muito ensaiado isso de baixar as calças

e antes de adormecer imagina carnes apertadas

enquanto agita com o mão

o seu pénis triste e solitario

em breve dormirá sereno e cómodo

como um grande conquistador.

 

*

 

Todas as manhãs vejo em vocês o orgulho

de se sentirem importantes e imprescindíveis

e não consigo compreender tanto esforço

se a vida não é mais do que hóstia atrás de hóstia

uma sucessão de perdas incontrolável

ante o microscópio. O ser humano

nada pode fazer salvo resignar-se

vocês apartam de mim o caminho porque fedo

a álcool e não domino a linha recta

mas sou parte de vós

e não vos calha mais que aguentar

a minha presença e as minhas palavras

mesmo que vos fodam.

 

Drink River tem duas margens

Aparentemente distintas

E no entanto iguais

Em ambas a luz mostra tudo sem censura

E em ambas a verdade se oculta com mentiras

Mentiras em que acreditamos cegamente

Cegos de convicções e símbolos irreais

E falamos da revolução e do progresso

Confiantes em impor as nossas ordens

E lograr a liderança

Mesmo que seja da asquerosa lixeira

Que edificamos como lugar.

 

Não posso entender tamanha estupidez

por que temos de ser tão importantes?

Desprende-te por fim da perversa fantasia

Que com orgulhosa humildade me mostras

E observa a luz da palavra com esses olhos

Porque olhar - apenas olhar já é o suficiente.

 

*

 

A fotógrafa é uma artista consagrada

pelo menos no mundinho cultural da cidade

vem cá com os seus flashes e o seu ar progressista

retratando marginais e perdidos

e maquilhando-os de provocação ousada

 

já na galeria receberá as autoridades

folgada no decote e com palavras delicadas -

que bonito! ou – que elegante! ou uma

subvenção ou compra de uma obra -

Melhor o breve discurso de apresentação

versará sobre os seus amigos esquecidos

Aqueles que tanto fode

Essa punheteira louca essa cujo objectivo

É somente o de lhes dar a maldita publicidade. 

 

*

 

Barbie não é o seu nome

Mas aqui não importa isso

Estuda economia na universidade

E gosta dos caprichos caros

E de se mover como gente importante

Plena de poder e plena de dinheiro

Nunca entrou aqui e só a pude ver ao longe

E no entanto posso ler o seu desprezo

- Quem vai a saber disto no futuro

Isto é momentáneo

É como a escola -

Assim ela forja o seu carácter de empresária

E melhor inverter o seu corpo

Que endividar-se com o banco

Além disso chegam umas horas por semana

Ela vale muito e sabe-se valorizada

E amanhã ela será a chefe

E não haverá sombra que vacile

debaixo dos seus belos saltos altos.

 

Poemas de Francis Vaz

de "Antología de Drink River"

Tradução de Tiago Nené

 

 

 

 

 

publicado por tiagonene às 18:33
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Terça-feira, 20 de Março de 2012

Dia da Poesia, 21 de Março, no CATITA & COMPANHIA (Olhão)

Dia 21 de Março, Dia Internacional (ou Mundial) da Poesia. É no CATITA & COMPANHIA. Dizem que chega a Primavera. Para já, para já chegam poemas sobre Portugal. Luís Ene, Fernando Cabrita, Tiago Nené e outros. 22h, no Catita, em Olhão, Av. 5 de Outubro, 60.

 


publicado por tiagonene às 17:43
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Poemas de Rafael Camarasa de "O Sítio Justo" - tradução minha

 

 

 

O OESTE DISTANTE

 

Como um prospector do ouro peneiro lentamente os dias e somente de vez em quando encontro o metal precioso. Um brilho mínimo na areia que me reconcilia com o rio e, sem me conceder riquezas nem salvar da corrente, honra meus pés na água e em tanta terra removida.  

 

*

 

MEIA NOITE 

 

Mais um dia que se vai como uma cauda cortada de lagartixa que, fascinante e dolorosa, serpenteia no chão e, no seu agitamento por voltar, mais se afasta do corpo.  

 

*

 

AS NUVENS 

 

Até agora era um rumor. Algo que só acontecia aos outros. Um homem que apaga a luz e que, de imediato, tem medo do escuro. “É como na infância”, dizemos, mesmo sabendo que não é assim. E então temíamos o escuro. Hoje, além disso, a sua proximidade. Temerosos estendemos as mãos e nelas reconhecemos o trânsito: se fosse uma viagem, dir-se-ia que estamos a meio caminho. Debaixo das nuvens que pareciam distantes – como sempre, como de cada vez que o jardim se cobre de folhagem – hospedamos a esperança do vento. E a certeza de que quando forem varridas, desaparecerá o céu que ocultaram.

 

*

 

DO DIÁRIO DE UM SUPER-HERÓI 

 

Foi o meu primeiro erro e, por fim, o único que cometi em toda a minha vida. Depois de resgatar daquele edificio em chamas aquela mulher, escapou-me das mãos  e caiu sobre a multidão. Talvez esta afirmação defraude muitos dos meus seguidores, mas ainda que não tenha provocado a tragédia nem gozado com a dor alheia, no meio daquele erro, pela primeira e última vez, senti-me o homem perfeito que todos acreditavam que era.

 

*

 

SOLDADOS 

 

Um amigo ofereceu-me um capacete inglês da segunda guerra mundial que comprou muito deteriorado e restaurou para mim. Quando alguém vem a minha casa e ao vê-lo no meu escritório me questiona, sei que espera que eu fale da guerra, que evoque trincheiras e batalhas, o horror ou as façanhas do soldado cuja cabeça ocupou o seu interior. Em vez disso, eu lhes falo do meu amigo e do seu empenho em limpá-lo com óxido, por fazer desvanecer as impurezas do tempo e aplicar com precisão a pintura.   Eu o descrevo à mulher, que ali permanece cúmplice, e às suas filhas que jogam à apanhada à volta da secretária, ignorando que até o seu alvoroço é parte do fio de Ariana que liga esse capacete velho à meada da minha memória, convertendo-o num objecto diferente a que o visitante presta atenção. “E na frente de batalha? ”, todos insistem. “A quem pertenceu na guerra?”. Como se não soubessem eles que eu nunca lá estive.

 

*

 

CAVALLERS 

 

Em plena luz do dia a calma de uma rua é um parêntesis onde mora efémero o transeunte. Por isso, enquanto volta o caos e se instala a sua confusão, ela é o sol nos terraços, o reflexo nas sacadas, a serenidade que embebe o ar como chuva imperceptível. Um castelo de naipes ao sabor do menor tremor. Alguém que sabe que hoje terá algo de belo para te contar.

 

*

 

INSTINTO  

 

O meu animal não é diferente dos outros. Não entende causas nem razões. De leis físicas que explicam, por exemplo, o teu rebolar quando caminhas. Vê que as tuas ancas se movem e curioso gosta de ver se te afastas e te perdes feita pérola entre pedras. Agora deixa o novelo de vísceras, com o qual brincava no meu interior, e observa uma gota de chuva deslizando no vidro. Nem desconfia que há forças que o fazem seguir esse curso: ama a sua imprevisível constituição com o mesmo mistério com que a odiará. Uma noite destas pode deixar que faças com a sua pele uma bolsa. Contudo se lhe perguntares o motivo não saberia o que te rugir ou miar. Se pretende alguma coisa são os teus joelhos e o tacto dos teus dedos no seu dorso. E, como eu, lamber-te-á as feridas, ainda que não possa explicá-las.

 

*

 

NO ESCURO 

 

 

Quem não fechou os olhos perante uma trágica notícia e não desejou que ao abri-los o tempo retrocedesse ao momento anterior, à última fortaleza possível. Quem não fechou os seus olhos e, destroçado pela dor, não implorou que a cena se fechasse com esse fundido e, como acontece no cinema, em segundos apenas, passassem os anos com o seu esquecimento na vida das personagens.  


*

 

DESEJOS DE UM PEIXE 

 

 

Não desejo outro aquário nem pedras novas no fundo. Quero aprender a esperar, conhecer a pausada harmonia dos gestos. Fixar os meus olhos sem pálpebras nas coisas e filtrar a luz devagarinho. Nas sombras e no rasto das imagens manchadas, ver o que há mas não vejo: a água onde melhor me movo.  


*

 

AGOSTO 

 

 

Hardy conduzia a mota. Laurel, atrás, olhava a costa. Uma gaivota rasou as suas cabeças e ambos se agacharam à vez. O gordo quando recorda aquele dia fala do perigo que espreitou. O magro do quão brancas eram as asas da gaivota. A máquina fez um par de ziguezagues e recuperou o equilibrio. Alguns ainda se perguntam como podem ser felizes juntos.  

 

*

 

MARCIANOS

 

Apaixonam-me através do computador e vêem a sua casa pelo olho do satélite, bombardeiam galáxias virtuais à base de sistemas binários e falam por telefones sem fios com a colónia mais distante do planeta. Mas na hora da verdade, quando se desligam os processadores, deixam embevecer-se pelas mesmas coisas que os terráqueos. Uma montra iluminada com um aquário cheio de peixes, ou a pomba suja do costume que sai de uma cartola. E não podem resistir à tentação, perante a imensa visão de um lago, de lançar à água uma pedra e contar as vezes que ela salta.  


*

 

METÁFORA DA FELICIDADE

 

Sempre me afigura inquietante uma piscina no inverno. Ver a minha figura na água, submersa num espesso abrigo. No fundo, enferrujado e vazio, o miradouro do socorrista. Aquele que imagino partindo no último dia de verão, desapossado do reino que do alto observava, tão asperamente humano sem o apito ao pescoço, sentindo que setembro vai inundando os seus pulmões, não lhe servindo de nada os seus dotes de salvamento.

 

 

 

Rafael Camarasa

in O Sítio Justo

Prémio Internacional Palavra Ibérica 2008

Tradução de Tiago Nené

 

 

publicado por tiagonene às 16:24
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Um Poema: Um Excerto de Experiência

 

 

 

UM EXCERTO DE EXPERIÊNCIA

 

não posso dizê-lo às 5.45 no ponto b.
e é um excerto de experiência
esse alcançar de familiaridade com o amor
esse julgar alguém
como base para o valorizar
mas posso dizê-lo às 4.44 do dia seguinte
já no ponto a.
na versão de um poeta deslumbrante
na canção favorita e mal gravada
ou dentro de uma qualquer outra
realidade
e agora são 6.36 de um dia intemporal
e é hora do lanche
e é um excerto de experiência
esse interrogatório apertado
a toda a tradução das coisas originais
e espontâneas.
ninguém escuta o relógio ainda quente
das 2.56 da tarde de um dia anterior,
o quente perdeu-se por entre o frio
de outros mundos.
um excerto de experiência até a morte
acontecer no subsolo,
como premiação do desconsolo.
um ponto c. projecta o poema,
a clarividência amplamente difundida
na insignificância final do esquecimento.

 

Tiago Nené
in Relevo Móbil Num Coração de Tempo
Lua de Marfim, 2012

Prefácio de Victor Oliveira Mateus

publicado por tiagonene às 16:03
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Agora na "Poesia Incompleta", em Lisboa

O meu livro "Relevo Móbil Num Coração de Tempo" (Lua de Marfim, 2012) está à venda na livraria Poesia Incompleta, em Lisboa.

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publicado por tiagonene às 15:47
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Sábado, 17 de Março de 2012

Prefácio de Victor Oliveira Mateus

O poeta Victor Oliveira Mateus, que fez o prefácio ao meu livro Relevo Móbil Num Coração de Tempo, disponibiliza-o no seu blogue A Dispersa Palavra.

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publicado por tiagonene às 23:21
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Tiago Nené

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Tiago Nené, poeta português, editou os livros de poesia: "Versos Nus" em 2007
"Polishop" em 2010
"Relevo Móbil Num Coração de Tempo" em 2012.
Vive em Faro e é advogado.

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