Domingo, 25 de Março de 2012

Abade de Jazente / Poema

 

 

 

 

 

Amor,é um arder, que se não sente;

É ferida que dói, e não tem cura;

É febre, que no peito faz secura;

É mal, que as forças tira de repente.

 

É fogo, que consome ocultamente;

É dor, que mortifica a Criatura;

É ânsia a mais cruel, e a mais impura;

E frágua, que devora o fogo ardente.

  

É um triste penar entre lamentos;

É um não acabar sempre penando;

É um andar metido em mil tormentos.

   

É suspiros lançar de quando, em quando;

E quem me causa eternos sentimentos;

É qum me mata, e vida me está dando.

   

Abade de Jazente

in "366 poemas que falam de amor",

antologia organizada por Vasco Graça Moura,

Quetzal Ed., Lisboa 2004

 

*

Escritor português, nasceu em Amarante, em 1719, tornando-se pároco de Jazente a partir de 1753, cargo ao qual resignou, por doença, em 1783. Estudou em Coimbra e foi uma das presenças da Arcádia Portuense que reuniria por finais de 1760. A sua vida repartiu-se entre esta, as festas conventuais e a solidão rústica.
Como poeta, sobretudo sonetista, cantou os temas horacianos do amor epicurista e da dourada mediania rural. A obra legada fornece-nos preciosos depoimentos históricos e também por ela sabemos dos seus prazeres (a caça, a pesca, o jogo, a boa mesa); das suas fraquezas, do seu triste envelhecer, dos seus amores, pois revela-nos episódios concretos de um relacionamento com Nise (anagrama de Inês da Cunha). Os sonetos respeitantes a esta constituem o mais pungente drama de amor do século XVIII português. Além de poesia de circunstância, deixou textos de conteúdo moral e poesia de matiz romântica. (in Infopédia)

 

 

publicado por tiagonene às 03:46
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Tiago Nené

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Tiago Nené, poeta português, editou os livros de poesia: "Versos Nus" em 2007
"Polishop" em 2010
"Relevo Móbil Num Coração de Tempo" em 2012.
Vive em Faro e é advogado.

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